Tratamento para dor no câncer


O paciente com dor oncológica apresenta uma síndrome complexa composta de múltiplas causas. Além disso, existe substancial componente afetivo compreendendo raiva, ansiedade e depressão. Cuidadosa avaliação e identificação das dores presentes deve ser realizada e, subsequentemente o tratamento deve ser individualizado.

O tratamento da dor oncológica deve ser multimodal, somando combinações de medicamentos, bloqueios, intervenções psicológica, físicas e terapias específicas para o câncer. Um importante princípio no tratamento da dor do câncer é que a doença é dinâmica, e envolve modificações semanais a diárias, exigindo que o programa de tratamento esteja sob cuidadosa revisão a todo momento.

A intervenção farmacológica é baseada no uso regular de analgésicos, obedecendo os princípios da escada analgésica da organização mundial de saúde ( figura 1), iniciando com analgésicos simples como dipirona ou paracetamol e/ou antiinflamatórios, escalando para analgésicos moderados como codeína e tramadol e atingindo a opióides fortes morfina, metadona quando os anteriores forem inefetivos. Usando essa estratégia 60% dos pacientes necessitarão de opióides fortes (nível 3) e 71% obterão bom alívio.

De acordo com a escada analgésica da OMS a morfina permanece a droga de escolha para uso oral, oxicodona e hidromorfona são alternativas. Ferntanil trandérmico e uso de opióides subcutâneos são vias alternativas potencialmente eficazes. Uso de adjuvantes como ansiolíticos, antidepressivos, esteróides, ant-epiléticos e relaxantes muscular incrementam a analgesia e melhoram a qualidade de vida.

Medidas não farmacológicas são muito úteis, quando os medicamentos não são efetivos devido a dor ser muito intensa ou o paciente não tolerar os efeitos adversos dos analgésicos. Acupuntura, bloqueios anestésico, procedimentos neurofuncionais minimamente invasivos são alternativas seguras e muito eficientes quando utilizadas no momento adequado.