Clínica de Dor


Clínica de Dor é uma entidade dedicada ao diagnóstico e ao tratamento de pacientes portadores de dor crônica. Pode especializar-se em diagnósticos específicos ou em tratamento de dores relacionadas a uma região específica do corpo. É o caso, por exemplo, das clínicas de cefaléias, de lombalgias e de várias outras.

John J. Bonica (1917-1994), anestesiologista italiano naturalizado americano, foi o idealizador e o criador da entidade médica denominada clínica de dor. Bonica e seus colaboradores de diferentes áreas da saúde chegaram à conclusão de que a dor é uma rede complexa de fenômenos que transcende a experiência de um profissional isolado (Loeser; Seres; Newman Jr.. 1990). Conseqüentemente, para seu diagnóstico e tratamento, é, muitas vezes, necessário um conjunto de recursos provindos de várias especialidades médicas e de profissionais de outras áreas da saúde. Desse modo, mostraram que a abordagem multidisciplinar (interdisciplinar) é extremamente importante e, muitas vezes, indispensável para o diagnóstico e tratamento adequados das síndromes dolorosas complexas.

Origem e evolução da clínica de dor

Os colaboradores de Bonica passaram a se reunir periodicamente, a fim de melhor discutirem os casos de pacientes portadores dos mais diferentes tipos de dor e chegarem finalmente a um consenso quanto ao diagnóstico etiológico da dor e à melhor forma de sua abordagem terapêutica. Nasceu, desse modo, a entidade multidisciplinar/interdisciplinar que foi denominada clínica de dor.

Em 1950, Bonica publicou no Northwest Medicine seu primeiro trabalho a respeito da clínica de dor, denominado Organização e funcionamento de uma clínica de dor (Bonica, 1950).

Com o passar do tempo, tomando como modelo básico a orientação dos trabalhos de Bonica, numerosas clínicas de dor foram criadas e disseminadas nos Estados Unidos e na maioria dos países da Europa, da Ásia e da América do Sul.

A primeira clínica de dor foi idealizada e fundada por um anestesiologista. Um número incalculável de anestesiologistas passou então a atuar inicialmente nas clínicas de bloqueios nervosos e, posteriormente. nas clínicas de dor.

Qual a importância do anestesiologista em um serviço de dor?

Por três razões:

1. O anestesiologista é o profissional que, por sua própria formação técnica apresenta a melhor qualificação para a realização dos bloqueios nervosos dignósticos, prognósticos, profiláticos e terapêuticos.
Os bloqueios são ferramentas muito úteis para esclarecer o diagnóstico de quadros dolorosos crônicos, pois nesse cenário o quadro clínico e os exames de imagens nem sempre são inteiramente elucidativos.

2. O anestesiologista por formação e experiência em centro cirúrgico é extremamente habilitado em lidar com diversas modadlidades analgésicas: medicamentos (antiinflamatórios, anti-epiléticos, relaxantes musculares, opióides), bombas analgésicas (analgesia controlada pelo paciente, infusão contínua, implantáveis), vias de infusão (oral, transdérmica, subcutânea, endovenosa, epidural, intradural), bloqueios.

3. Os bloqueios nervosos terapêuticos, associados ou não a outras opções de tratamento, constituem uma arma indispensável a grande número de diferentes síndromes dolorosas.