Dor no Câncer


A prevalência de dor no câncer varia de 14-100%, 28% entre os pacientes recém diagnosticados, 50-70% entre os pacientes em tratamento ativo e 64-80% entre os pacientes com doença avançada. Dor associada ao câncer pode ocorrer em qualquer momento da evolução da doença, mas a frequência e a intensidade da dor aumenta nos estágios mais avançados, entre os pacientes com metástase ou tumor avançado 75-95% apresentam dor significante.

A dor no câncer pode resultar de invasão direta do tumor a estruturas vizinhas como nervos, ossos, músculo, ligamento e fáscia e pode induzir a dor em vísceras seja pelo tumor obstruí-las ou distendê-las. Além disso, a dor pode resultar das terapias utilizadas para destruir o tumor, como cirurgia, radioterapia e quimioterapia, causando 15-25% das dores crônicas do câncer.

O tratamento da dor do câncer pode envolver diversas modalidades. As terapias específicas que objetivam reduzir o tumor são efetivas em diminuir a dor como quimioterapia, radioterapia e cirurgia. As terapias que atuam na dor sem interferir diretamente no tumor, como os medicamentos e bloqueios anestésicos são também eficazes e devem ser usadas em associação.

Apesar da diversidade de instrumentos analgésicos 45% dos pacientes apresenta inadequado ou subtratamento da dor. Os efeitos adversos das medidas terapêuticas, a desinformação dos profissionais da área da saúde, dos pacientes e familiares sobre o tumor e o seu tratamento, são responsáveis pela inadequação do tratamento da dor no câncer.

Tratamento da dor do câncer

O paciente com dor oncológica apresenta uma síndrome complexa composta de múltiplas causas. Além disso, existe substancial componente afetivo compreendendo raiva, ansiedade e depressão. Cuidadosa avaliação e identificação das dores presentes deve ser realizada e, subsequentemente o tratamento deve ser individualizado.

O tratamento da dor oncológica deve ser multimodal, somando combinações de medicamentos, bloqueios, intervenções psicológica, físicas e terapias específicas para o câncer. Um importante princípio no tratamento da dor do câncer é que a doença é dinâmica, e envolve modificações semanais a diárias, exigindo que o programa de tratamento esteja sob cuidadosa revisão a todo momento.

A intervenção farmacológica é baseada no uso regular de analgésicos, obedecendo os princípios da escada analgésica da organização mundial de saúde ( figura 1), iniciando com analgésicos simples como dipirona ou paracetamol e/ou antiinflamatórios, escalando para analgésicos moderados como codeína e tramadol e atingindo a opióides fortes morfina, metadona quando os anteriores forem inefetivos. Usando essa estratégia 60% dos pacientes necessitarão de opióides fortes (nível 3) e 71% obterão bom alívio.

De acordo com a escada analgésica da OMS a morfina permanece a droga de escolha para uso oral, oxicodona e hidromorfona são alternativas. Ferntanil trandérmico e uso de opióides subcutâneos são vias alternativas potencialmente eficazes. Uso de adjuvantes como ansiolíticos, antidepressivos, esteróides, ant-epiléticos e relaxantes muscular incrementam a analgesia e melhoram a qualidade de vida.

Medidas não farmacológicas são muito úteis, quando os medicamentos não são efetivos devido a dor ser muito intensa ou o paciente não tolerar os efeitos adversos dos analgésicos. Acupuntura, bloqueios anestésico, procedimentos neurofuncionais minimamente invasivos são alternativas seguras e muito eficientes quando utilizadas no momento adequado.